Quarta-feira, 9 de Maio de 2012


Espero que um dia leias isto e estejas finalmente livre.
Espero que tenhas por fim encontrado o teu caminho para casa e estejas em paz com os teus demónios.
Espero que tenhas descoberto outras formas de aliviar a tua dor que não sejam através de acções que te causem ainda mais dor.
Espero que finalmente tenhas percebido de que as coisas eram muito mais simples do que julgavas... ou talvez não fossem, mas, de qualquer forma espero que tenhas finalmente deixado de te esforçar tanto... De gastar tanta energia em coisas insignificantes que te esgotavam, não te restando mais ânimo para o que realmente importava...
Espero e desejo com todas as minhas forças que um dia quando leres isto te tenhas finalmente perdoado por todo o mal que fizeste a ti própria... E tenhas seguido em frente deixando a “vida de entretanto” ...
Espero que finalmente te consigas amar... E que tenhas encontrado dentro de ti a capacidade de amar os outros...
Espero que tenhas finalmente encontrado o teu lugar no meio dos outros... E já não desejes tanto estar sozinha... Não há nada de errado em gostares de estar sozinha... Mas necessitamos em certas alturas na vida de nos vermos através dos outros... De nos conhecermos objectivamente percecionando a sua relação connosco... Lembra-te do que alguém te disse um dia: “Só nos conhecemos realmente através dos outros»...
 Espero que consigas um dia... Finalmente... Ser a pessoa que és realmente... E conseguires sê-lo em harmonia com os outros sem necessidade de te esconderes...
Talvez não ou soubesses antes, mas há um caminho que se tem percorrer... E por vezes é doloroso... É tão difícil de suportar que às vezes parece que é melhor morrer... Mas há um caminho certo... Que é feito de muitos passos errados... Tantos passos errados... Que damos por nós tantas vezes a questionar a validade de todas as nossas acções...
Sei que choraste muito... Talvez ainda chores por vezes... Espero que um dia leias isto e não chores já tantas vezes...
E lembra-te que, onde quer que estejas, tenhas a vida que tenhas; vão sempre haver momentos maus... Mas, afinal são eles que te permitem perceber e sentir os momentos bons...
Há um céu azul estrelado numa noite longa e calma que espera por mim… lá bem longe onde o tempo se esqueceu de passar…onde o vento é suave e me embala num sono descansado… Há um horizonte que se estende ao longo de um sol brilhante que me faz acreditar que a esperança é infinita… Há uma melodia…às vezes triste e solitária…uma melodia que se esconde na dança das velhas árvores …no ritmo da mudança de cada estação…na chuva…no sol…no vento…na terra… Há um calor que queima…para que nos lembremos de valorizar o frio… E há em mim uma solidão constante no meio da gente…aqui ou em qualquer outro lugar…uma solidão que me acompanha e que me devora…uma solidão que sempre me faz querer voltar lá… Mas, sei que lá jamais voltará a ser o meu lugar, ainda que a minha alma esteja para sempre perdida lá…no cheiro fresco da maresia de todos os amanheceres…no ar quente de um pôr-do-sol de um dia de verão…nas folhas secas caídas… Eu vou estar para sempre lá…a caminhar por aqueles caminhos…serei sempre a menina pequenina com olhar perdido no céu estrelado numa noite longa e calma…

Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

"La vida no espera, no avisa,
Ni se hace tu amiga.
La vida es un juego con una partida
Nos trata de tú, nos grita y nos mima
Nos reta, nos pone un examen al día...
La vida es lo único que manda en la vida
La vida no es tuya, Ni tuya ni mía...
La vida es la Vida, nos pone y nos quita

No vida no es tuya, ni tuya ni mía..."
                                                                             "El cielo de los perros"

Quarta-feira, 25 de Abril de 2012


Não sei onde estás.
Dou voltas e voltas  não te encontro.

Segunda-feira, 23 de Abril de 2012



Quem o vir dirá que ele é feliz.
Sentado à beira –mar,os seus olhos,cor do céu azul de um dia de verão,abraçam as ondas.
Quem o vir dirá que ele é livre.
 A correr, de prancha na mão,o seu destino está escrito em cada grão de areia daquele imenso areal da sua praia favorita.
Quem o vir dirá que não cresceu.
A sua maturidade esconde-se atrás de risos e palavras sem nexo.
Quem o vir dirá que ele não sente nada.
Disseram-lhe um dia que havia algo chamado amor. E ele decidiu passar o resto da sua vida a escapar da sua grandeza.



Nestes dias eu penso em voltar a ser apessoa que eu antes era.
Nestes dias eu penso em poder caminhar com a confiança que eu caminhava antes .
Nestes dias eu anseio por aquele céu estrelado , aquela chuva, aquele cheiro.
Nestes dias eu penso em ser de novo a imagem que eu via no espelho, quando antes de sair do quarto eu vislumbrava…e por segundos a vida era perfeita.
Nestes dias eu já não sonho muito, como sonhava antes. É uma pena.
Nestes dias eu caminho com estranhos, por dias estranhos, em lugares estranhos.
Nestes dias, desejava ter fé em alguma coisa. Rezar por alguma coisa. Ter esperança.
Sim, nestes dias desejava imenso ter esperança na vida.

Sábado, 21 de Abril de 2012


"I hear something out there calling my name
No matter where I turn it all looks the same
I never sleep at night, I just stay up and wait
But the burning in my blood never came


(...)

I know that what I am is not who I should be.
The devil takes my hand and says, "Child come with me"
My body shivers and aches, I can't break free.
Why do the things I hate come so naturally?"
                                                                                 
                                                                                                 "Dance on our graves" - Paper Route      

Sexta-feira, 20 de Abril de 2012


"...it might have been living in the country that was making him cry. It was killing him with its silence and loneliness - making everything ordinary, too beautiful to bear."

Domingo, 15 de Abril de 2012


You don’t look the way you used to look.
Your eyes aren’t the same.
There is something about the way you stare at the world.
Today.
Is the weight of your head breaking your spine?
Are your feet hurting?
Is your breath cutting your throat?
Are you feeling so far away from home?
 Do you still have a home?
Do you still believe in miracles?
Today, you are so far away….
Can you realize it?
Today…all your hopes are dismantled. 

Sábado, 14 de Abril de 2012

Dói viver. E a vida é fácil.
Mas dói viver. Quando nada mais nos move dia após dia.

Quarta-feira, 11 de Abril de 2012

Todos os dias uma parte de mim pensa... hoje era um bom dia para acabar. Acabar de vez. um bom dia para acabar o mundo. o meu mundo.
Mas nunca é.
E os dias sucedem-se e eu nunca sei o que fazer com o tempo. Todo o tempo é já demais para mim.
A outra parte tenta continuar a levar a bom porto, um navio que está sempre quase a afundar-se.
Um navio que tem uma vontade constante de se afundar.
E,para um navio assim, não há um bom porto.

Terça-feira, 3 de Abril de 2012

o ar está pesado onde quer que eu esteja...
a minha respiração dói.
apetece-me gritar. bem alto.
é mais uma necessidade.
faço coisas.algumas não me recordo delas. não as identifico.
já não sei quem sou.
há um monstro dentro de mim que teima em não sucumbir.
o tempo nem sempre cura. o tempo nem sempre muda as coisas. o tempo nem sempre melhora as coisas.
o tempo inflama.
e todo o tempo da minha vida tem-me inflamado.
dormir...dormir...e talvez...jamais acordar...

Sábado, 31 de Março de 2012

A cada dia que passa eu sinto menos vontade de viver...é um aborrecimento que não passa...uma angústia que permanece entranhada em mim...um desconforto constante que me domina.
Eu já me deveria ter habituado a esta sensação...nem deveria achá-la estranha...
A verdade é que já se tornou o meu estado normal...já nem "sei" viver de outra forma...
Mas, estou farta...farta de passar pelos dias assim...

Quinta-feira, 29 de Março de 2012

The more I breathe, the more I feel I can’t breathe anymore.
The nights are so long and
The days don’t seem to get me busy enough.
Lights are a cure to my blindness.
The dark covers my scars.
Somewhere along the way I’ve wasted so much energy. I still do.
I’m becoming the person that I never wanted to be…every day I do something that little by little turns me into it…

Terça-feira, 27 de Março de 2012

Estou tão triste.
A vida nada mais é que uma alucinação para mim.
Estou cega… tão cega…
Já não consigo decifrar as imagens que vejo.
Já não sei que vozes deva ouvir.
Estou tão cansada.
Quero partir… não daqui… não para qualquer outro lugar… quero partir simplesmente...
Estou cansada da vida. Não desta vida que estou a viver agora.
Estou cansada da vida em geral. De toda a minha vida. Desde o dia em que nasci até ao dia de hoje.
E não estou triste por isso. Sei que não há nada mais para mim nesta existência.
A única coisa que sinto é cansaço. Um cansaço já envelhecido no meu corpo e na minha alma.
Estou cansada de pensar sempre que vai passar, mas nunca passa…
Eu quero desistir.
Mas sim… eu sei…não o posso fazer…
Custa-me imenso admitir isto, mas todos os dias – desde há algum tempo – acordo e peço que aconteça algo…algo massivo…uma destruição apocalíptica
E, posto isto, não posso esperar amor da parte do mundo, uma vez que eu sou incapaz de sentir amor pelo mundo…

Segunda-feira, 19 de Março de 2012

Há lugares onde gostaríamos sempre de poder regressar… memórias de um tempo em que acordar a cada dia era mais fácil…
Dias em que as horas passavam facilmente sem que as notássemos…
Há lugares que permanecerão para sempre gravados na nossa mente… presos a uma música qualquer que por acaso ouvimos… presos a palavras que eventualmente escutamos algures sem esperarmos…
Há vidas perdidas em infâncias incompletas… anos que passaram depressa demais sem que tenhamos tido oportunidade dos viver…
Há palavras que desejávamos ter dito… outras, porém das quais nos arrependemos tantas vezes de sequer as ter pensado…
Há um desespero emergente em nós em cada vez que ousamos cruzar a fronteira do tempo e, por segundos, abandonamos o presente e colocamo-nos naquele momento que teima em não nos deixar seguir em frente…
Há uma criança em nós... Que não quer crescer… que ainda brinca até ao anoitecer sem preocupações… que não quer saber nada das coisas sérias do mundo… que vive na inocência dos longos dias de verão...
Há uma adolescência inacabada em nós… cheia de revoltas… inseguranças… medos… futilidades…
Um dia acordamos e o mundo diz-nos que somos adultos.
Preparados ou não, eis-nos no mundo dos crescidos… o mundo para o qual sempre tentaram fazer-nos crer que não estávamos preparados para enfrentar… e que de um dia para o outro nos empurram para ele…
O que fazemos agora?
Seremos a criança… viramos as costas e vamos brincar que o sol ainda não se pôs?
Seremos o adolescente e revoltamo-nos e fugimos de casa?
Ou seremos o adulto construído á pressa em nós… inventado á custa de comportamentos copiados?
Somos apenas uma construção de alicerces frágeis.
A uma mínima rajada de vento de entramos em colapso.
Somos obrigados a crescer. Ter responsabilidades. Encarar a vida.
Trabalho. Dinheiro.
A vida de adultos baseia-se nestas duas premissas.
Temos que ter um trabalho. Qualquer. Qualquer ocupação que nos permita receber dinheiro em troca. Dinheiro esse que vamos passar o resto da vida a perseguir. Dinheiro que sentimos que temos que ter... Para comprar todas as coisas de que não necessitamos… mas que a sociedade nos faz acreditar que não somos ninguém sem elas…
Temos que encher uma casa com objectos que de nada servem.
Temos que comprar roupa.
E tudo e tudo…
O resto da vida será apenas um ciclo vicioso de consumismo.

Quinta-feira, 15 de Março de 2012

Sí, es que a veces llueve toda la noche. Y hace muy frio.
Sí, es que a veces miras el mundo con los ojos cerrados y solo miras a oscuridad.
No tengas miedo. Te lo digo hoy.
Sí, a veces yo tengo mucho miedo.
Sí, yo he perdido mi vida a causa del miedo.
Si, yo podría perderme en las calles por días...solamente a buscarme.

Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012

Todos os dias me sinto triste. Já estou assim há imenso tempo. Meses. Anos. Não sei ao certo.
Todos os dias, e não importa onde esteja ou como o dia esteja a correr, há sempre os momentos em que sinto que parece que vou explodir. A minha cabeça começa em colapso. A minha pele entra em erupção. Fico com dificuldade em respirar. Chorar parece ser a única coisa que me acalma.
Mas nem sempre o consigo ou posso fazer.
Estou assim há anos. Ou suponho que esteja assim desde sempre.
Sinto-me numa constante montanha russa de emoções e estados humor. Tem sido assim a minha vida inteira.
E sempre que eu penso que alguma coisa vá melhorar o meu estado, concluo que não importa o que aconteça ou onde esteja…o problema está em mim.
Toda minha vida tem sido assim…um descontentamento sempre presente…uma vivência sempre desconcertada…nunca nada parece estar bem comigo por muito tempo…
Parece que estou sempre agindo como uma pessoa que adora vitimizar-se…ser a “desgraçadinha” …mas a verdade é que eu não consigo encontrar um ponto de harmonia duradoura…
Sinto sempre o chão a desmoronar-se á minha passagem.
E eu tento disfarçar…na verdade escondo imenso de como realmente me sinto…mas, no entanto, há sempre uma parte que vem á superfície…
Não gosto que as outras pessoas vejam o meu desespero.
Como explicar-lhes que eu não consigo ser de outra forma?
Na verdade eu também não consigo entender grande parte das coisas que sinto ou do que faço.
Como explicar-lhes que nunca me senti totalmente bem ou confortável em nenhuma das situações da minha existência?
A minha vida sempre foi uma espera. Um desespero agonizante por outra coisa qualquer.
Passei grande parte da minha vida a tentar descobrir novos comportamentos autodestrutivos. Novas ferramentas para me magoar.
Não entendo porque fiz muitas das coisas que fiz.
Muitas vezes penso que apenas gostava de sentir satisfação com a vida. Com o normal.
Mas não. Há algo em mim que procura sempre outra coisa qualquer, algo que nem real é na maioria das vezes.
Gostava de não andar sempre a oscilar entre extremos. Gostava de poder viver no meio-termo da vida. No aceitável, no saudável.
Na minha vida nada nunca foi meio-termo.
E eu sinto que me sentirei assim para o resto da vida.
E, faça o que fizer, acabo sempre a sentir-me a retroceder em todas as coisas em que eventualmente ao logo do tempo possa ter melhorado.
Sinto-me tão cansada…tão envelhecida…e ainda sou tão jovem.
Não há muito mais nada que me apeteça fazer.
E ainda há tantas coisas que tenho que fazer.

Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

"Some people think they're always right
Others are quiet and uptight
Others they seem so very nice
Inside they might feel sad and wrong

29 different attributes
And only 7 that you like
20 ways to see the world
Or 20 ways to start a fight
                  (...)
Countless odd religions too
It doesn't matter which you choose
One stubborn way to turn your back
This I've tried, and now refuse"

"You Only Live Once" – The Strokes

Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

Hoje quero escrever sobre algo com o qual tenho vivido nos últimos tempos e que tem condicionado a minha vida a vários níveis: a minha relação de amor e ódio com a comida.
Não me recordo já exactamente ao certo quando começou, creio que foi muito antes de eu sequer ter a noção do que era.
Talvez tenha começado por volta dos 13 anos quando, numa tentativa de emagrecer á força eu comecei a passar dias sem comer nada.
Passava os dias na escola a sentir-me mal, fraca, tonta, sem energia e triste.
Ia constantemente á casa de banho com uma necessidade enorme de vomitar. Vomitava uma espécie de espuma porque não tinha mais nada no estômago para expulsar.
À noite, quando ia para casa, os meus pais não imaginavam o que havia sucedido. E eu comia normalmente. E nunca emagrecia porque eventualmente eu comia ao jantar o suficiente para manter o meu nível de calorias diário.
No dia seguinte na escola repetia tudo outra vez.
Um dia desmaiei em pleno corredor da escola. Acordei com imensas caras de colegas e professores a olhar para mim ali caída no chão.
Jamais poderei apagar essa imagem da minha memória.
Lembro-me de me terem levado para as urgências e do médico dizer que eu estava com anemia.
O que sabia eu? Nem queria saber.
Creio que depois disso tentei corrigir o meu comportamento e passei a comer.
Conseguiria passar mais alguns anos a comer relativamente sem me preocupar. O pelo menos sem chegar ao extremo de não comer nada durante os dias.
E, portanto, continuaria com excesso de peso.
Creio que tudo voltou por volta dos 21/22 anos, não me lembro bem ao certo.
Por volta desta altura o meu desejo de emagrecer surgiu de novo.
Ao inicio tudo começou de uma forma pacifica.
Comecei por cortar algumas coisas da minha alimentação, reduzi as quantidades de outras coisas e finalmente consegui começar a ver resultados de emagrecimento. E isso foi a alavanca que desencadeou todo o problema. A partir de então nasceu em mim uma necessidade de desafiar os limites do meu corpo. Até onde eu poderia ir na perda de peso? Quanto poderia o meu corpo aguentar em termos de restrição alimentar?
Isto tornou-se um vício. Já era algo que me ultrapassava. Uma obsessão.
Se eu podia passar os dias com uma ou duas saladas e alguma fruta, talvez conseguisse passar os dias apenas com algumas frutas. Ou com apenas uma fruta. E porque não passar o dia em total abstinência de alimentos? Um dia? E porque não mais dias?
Tudo era possível, porque a vontade era enorme e eu não conseguia ver mais nada para além perda de volume corporal, de diminuição de valores de peso, de aparecimento de novos ossos salientes.
Havia momentos em que me sentia fraca, claro. Sentia-me de mau humor. Cansada. Não me conseguia concentrar nas aulas. Tinha más notas. Tinha muito sono. Tinha imensas dores da fome.
Outros momentos estava tão embriagada em emoções como a de poder vestir umas calças de um número que eu sempre idealizara, que nada mais importava.
Eu estava doente, muito, mas eu não tinha a noção.
E, na altura, eu não tinha a mínima noção de que tudo aquilo teria efeitos irreversíveis para sempre.
Com o tempo eu perdera tanto peso que as pessoas que me conheciam desde criança já não me reconheciam de cada vez que me viam.
E, se ao inicio me elogiavam dizendo que eu estava muito melhor assim, com o passar do tempo começaram a conspirar sobre o facto eu ter uma doença.
E eu tinha realmente, tinha uma doença tão grande que me sentia feliz com este tipo de comentários.
Naturalmente, o meu corpo chegou a um ponto de total saturação, ou seja cheguei a um momento em que não conseguia emagrecer mais. É verdade. A minha estrutura corporal não o permitia.
Curiosamente, eu pouco a pouco apercebi-me do mal que havia causado. Já não me achava mais bonita no espelho. Aliás, achava-me ainda mais horrível do que antes.
Tinha chegado a um ponto de total estagnação, e aí percebi que não podia mais continuar assim. Precisava de ajuda. Uma orientação, porque naquela altura eu já não me sabia alimentar. Tudo para mim era proibido. Tudo me causava peso na consciência.
Tomei então a decisão de consultar uma nutricionista.
A nutricionista examinou-me e disse que eu estava mesmo no limiar da anorexia. Um pouco mais tempo e não havia volta a dar.
Como esperado, ela elaborou um plano alimentar que eu segui durante algum tempo.
O objectivo daquele plano era fazer com que mantivesse aquele peso de uma forma saudável.
E, como esperado também, eu não o segui durante muito tempo, porque, a minha cabeça, sempre a maquinar novas paranóias, julgava que aquele plano só me iria engordar de novo.
Eu achava que estava a comer demais do que eu julgava aceitável.
Eu não confiava em ninguém, excepto em mim.
E voltei ao mesmo ponto.
Ou talvez não.
Algures após tudo isto, não sei bem já quanto tempo depois, comecei uma nova fase.
Uma fase em que eu, saturada de tanta privação durante tão tempo e de sempre me sentir miserável, decidi começar a comer com menos preocupações.
Ao inicio tudo bem. Esta fase foi um pouco como a inicial, começou de forma razoável.
Mas eu sempre fui uma pessoa de extremos, em tudo. O meio-termo nunca me contentou.
Eu não podia simplesmente começar a comer de forma normal como se nada fosse. Eu não poderia deixar passar assim de ânimo leve todos os distúrbios alimentares anteriores.
Seria muito fácil.
Fosse pela necessidade que o corpo tinha após tanta abstinência alimentar, fosse pelas frustrações que se sucediam na minha vida, fosse pelo demasiado tempo que tinha á minha disposição e consequentemente o enorme tédio, fosse tudo conjugado, uma nova fase se iniciou na minha relação com a comida.
Nesta fase eu tornar-me-ia viciada em comida.
Tudo começou por eu achar que estava na hora de poder comer com menor moderação…mas a menor moderação, rapidamente se transformou em excesso.
Esta fase seria tão auto-destrutiva como outras anteriores.
Eu só pensava em comida. E comia sem que tivesse fome. Aliás, eu já nem sentia fome. Pelo menos uma fome fisiológica. Nesta fase comecei apenas a reger-me pela fome emocional. A comida surgiu como um remédio que acalmava a minha ansiedade.
Quando tinha grandes crises de pânico, nervosismo …total descontrolo emocional …eu podia comer as coisas mais estapafúrdias que tivesse ao alcance. Comia as combinações mais bizarras que alguma vez experimentara. O sabor não me importava. Na verdade eu nem sentia o sabor da comida. Para a falar a verdade eu não tinha a noção de estar realmente a comer. Era como eu se estivesse sob hipnose, como se a minha consciência tivesse abandonado o meu corpo.
Só depois do “episódio” terminar, e que eu era confrontada com os “destroços” do que havia comido é que eu realmente me apercebia do que tinha acontecido.
E sentia-me horrível. De uma forma que não consigo explicar. Sentia-me tão mal, que acabava por ir comer compulsivamente de novo em seguida.
Eu já vivia num completo ciclo vicioso.
Quando finalmente conseguia acalmar, eu jurava que tinha sido a última vez. Que “amanhã” tudo seria diferente.
No outro dia repetia-se tudo outra vez.
Os episódios de descontrolo começaram a ser mais frequentes e envolvendo cada vez maior quantidade de comida.
Ficava acordada noites a comer. Não conseguia dormir enquanto não acabava toda a comida que tinha em casa. Aliás, apenas me sentia livre quando não restava mais comida, era a única forma que eu tinha de me certificar de que não comia mais. E por isso eu tinha que esgotar completamente o stock alimentar do momento, caso contrário não conseguiria permanecer serena.
E assim “vivi” durante algum tempo.
Como é obvio, com o tempo fui novamente aumentando o peso e, por muito que isso me deixasse frustrada, eu não conseguia parar.
Algum tempo depois, iniciaria uma nova fase.
Nesta fase conjugaria a privação alimentar com o excesso.
Na maioria do tempo, eu era uma anoréctica durante o dia, e uma comedora compulsiva durante a noite.
Outras vezes eu passava um, dois, três dias ou uma semana sem comer nada, seguindo-se posteriormente mais uns dias de alimentação compulsiva.
Eu tinha perdido por completo o domínio sobre todas as situações.
Suponho que é verdade o que dizem, distúrbio alimentar uma vez, distúrbio alimentar para toda a vida. É algo que permanece com a pessoa. Uma vez passando-se para o outro lado, não há retorno.
E eu nunca mais consegui ter uma refeição normal na minha cabeça. Deixei de saber o que é fome física, autêntica. Perdi a completa noção do meu conceito de saciedade.
A comida passou a ser apenas uma forma de alimentar estímulos emocionais.
Se eu estivesse mais calma e de bom humor, eu até podia passar um dia a comer de uma forma mais “aceitável” ou não comer nada, mas se pelo contrário, eu estivesse nervosa por alguma razão, se estivesse mais triste, aí perdia a noção do que comia.
Para quem, como eu, desenvolve este tipo de distúrbios alimentares há duas situações em que se consegue testemunhar as chamadas experiências “fora do corpo” : quando se passa muito tempo de privação de comida, e depois, no outro extremo, nos episódios das chamadas “orgias alimentares”.
Em quaisquer destas duas situações há um sentimento de leveza e transposição da consciência para um estado exterior ao corpo, e perde-se a noção do tempo, espaço e de tudo o resto.
Há uma parte de nós de um lado, e a outra observa tudo numa perspectiva mais elevada.
No entanto as sensações vivenciadas nas duas situações diferem em alguns aspectos.
Eu diria que esta experiência “fora do corpo” sente-se de forma mais acentuada durante um episódio de alimentação compulsiva, porque tudo acontece num menor curto de espaço de tempo, de forma mais abrupta. A adrenalina é tão forte que nos sentimos completamente transfigurados. Como se estivéssemos a observar-nos num daqueles documentários sobre a vida animal, em que nós somos a fera que devora,insaciável,a presa.
As cores das coisas alteram-se, sobressaindo mais, agindo como campainhas nos nossos olhos.
As formas dos objectos em nosso redor colidem numa só.
Durante a abstinência alimentar tudo vai acontecendo de forma mais gradual. Começa-se com um sentimento de total superioridade em relação às restantes pessoas. Estamos rodeados de pessoas a comer, e nós estamos ali completamente indiferentes em relação a toda aquela comida. Nestes momentos a energia/êxtase mental consegue apagar toda a debilidade física que se sente (e sente-se imensa). Quanto mais o tempo vai passando mais, mais fácil tudo se torna. Lá para o segundo dia de jejum o volume do som do mundo está diminuído. As cores das coisas também mudam neste estado, dissipam-se. Mudam as noções de profundidade, distância, altura, etc.…
A partir de então é como se não fizéssemos mais parte deste mundo.
Sente-se como aquelas cenas dos filmes em que o personagem vai passando e tudo em seu redor está desfocado, apenas há ênfase nos contornos do seu corpo.
Tudo o resto é secundário. A mente está mais elevada que o corpo.
Talvez por estas razões estes comportamentos sejam tão aditivos, porque, apesar de todos os estragos físicos que causam, eles conseguem trazer uma espécie de paz de espírito, uma satisfação adicional.Controlo no descontrolo. Harmonia no caos.
Faz-nos sentir que em qualquer um destes estados, vemos o mundo como não o conseguíamos ver num estado “normal”.
E quando se começa não se consegue parar.
No entanto, eu não escrevi isto para defender a “adopção” deste tipo de relacionamentos disfuncionais com a comida…se o que eu mais desejava é nunca ter vivido nada disto…se eu fantasio tantas vezes com o último dia em que tive uma alimentação normal…
Apenas precisava de escrever isto. De colocar isto em palavras de uma forma mais concreta e honesta, numa tentativa de conter este “monstro” dentro deste texto. E poder finalmente libertar-me.

Temo que isso não aconteça, mas não custa tentar…
………………………………………….

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

As luzes serpenteiam o caos escuro.
Que voz esta que ouço e não consigo decifrar?
Uma a uma. As paredes desmoronam-se no horizonte.
O labiríntico espaço decifra-se á minha frente.
É sempre tarde. Ou muito cedo.
É sempre agora. Ou não.
Palavras disformes preenchem cavidades como mosaicos.
Gravuras que contam histórias de dias remotos.
Gotas de chuva sobressaem no chão íngreme.
Mãos mortas seguram o tempo nas pontas dos dedos.
E é sempre tão tarde. E as horas são as mesmas.
Passos de inocência escavam grutas em caminhos de areias movediças.
Passos de indiferença exibem-se numa coreografia magnetizada.
E, por detrás da porta que nunca se abre, dormem, alheios de tudo,
Criadores de marionetas sem fios.
Artesãos de falsos cortejos.
Fanáticos do ilusionismo camuflado.
E há lâminas salientes nos leitos daqueles que ousam repousar.
E é sempre tarde demais.
O sorriso dos loucos solta-se em alarme.
Esboços de figuras desenhadas em folhas de papel ardem.
Labaredas de sonhos crepitantes.
Voltas e mais voltas dá a corda em redor do corpo amorfo.
Uma volta mais e não há mais volta a dar.
Passos atípicos deambulam no cais abandonado rompendo o nevoeiro.
Máscaras de benevolência cobrem cães raivosos.
Enquanto isso, o louco, na sua jaula, engole mais um comprimido.
O elixir do bom comportamento.
E o velho palhaço alcoólatra inventa felicidade para os sorrisos dos espectros cépticos espalhados pela sala.

Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

So much I need to say but I can’t.
I really can’t.
So much I need to cry. But I can’t.
I really can’t.

Domingo, 8 de Janeiro de 2012

Underneath your nails there’re dirty little pieces of your own dead skin.
It itches. I know.
It itches so bad that sometimes feels like your skin is burning.
Some people are allergic to oxygen.
Oxygen may be lethal.
Oxygen is venom.
It’s a drug. We’re all addicted to it.
Maybe we all should quit it.
Some people are tables all aligned in fancy restaurant rooms.
But they wished they’re chairs placed in a balcony of a very quiet house somewhere so far away.
Some people dream too much. So much that they can´t carry the load of their own dreams.
Some people have heart attacks while sleeping.
Their lazy hearts decide to stop right in the moment when they’re working more slowly.
There’s no God anymore, I tell you.Maybe he existed one day.
Maybe he got really tired of this planet, and eventually he just disconnected himself from it.
Maybe he died. And no one replaced him.
It’s not easy to find a good God these days.
We created God and maybe, along the way, we killed him.
I don’t know how to pray anymore.
But If I did, I would pray for the destruction of this planet.
I would pray for a collision with a meteor as shown in many apocalyptic movies.
For an egotist, I think this is the most altruist idea I’ve ever had.
Sometimes I wish I could burn all the law and etiquette books ever written.
And all the computers. All the files. All the conventions. And all the buildings.
I wish I could burn them all in a gigantic fire.
I mean, I’m not crazy; I just too tired of this stupid world we’re live in.
Your skin is covered of scars.
Some wounds never heal.
Even though you’ve been told that “time heals everything”.
Time is a liar. Time is a hypocrite.
And So Am I. and so are you and the rest of people.
I wish I had a gun pointed to my head.
People only reason with a gun pointed to their heads.
It’s only on the imminence of the death that people actually know for sure what they want.
“I reason with my cigarette”
So I look at the sky wondering…waiting for an answer.
A sign…
Damn, I really wish I know how to pray!
I had a dream it was 5 am.
“You are the alpha and the omega”…
Most of people are afraid to be alone.
Maybe they never learnt how to be alone.
It’s not bad, I tell you.
Some people feel so old, and they’re so young.
Some people feel so young, and yet they’re so old.
“I’m too young to feel this old”
“Wonder why it's getting cold at night. I must be getting old”
And so the story goes on.
No happy endings at the final chapter.
The lonely characters get even lonelier.
The miserable ones stay just as miserable.
The good ones are also the villains.
All the characters die. Not just the bad ones.
They’re all bad at some point.
There are no good lines. No funny jokes.
There’s no script.
No one has any idea how to fix things.
I don’t care about it.
It doesn’t move me.
I don’t know what really moves me anymore.
Give me back the hospital bed.
Give me another shot. Put me to sleep.
Give me the blue light of the anesthetic liquor.
Numb me!
“I wanna be sedated”
Make me cry. Make me feel something. I want to react.

Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

There were times that I felt this song had been written for me...

"In your little white wicker chair
Unsuspicious nobody cares for you
You're so fucked up again
You laugh at nothin' in the pouring rain
Try to tell yourself you're not insane
You fool, I hate you sometimes

Hey, you know it ain't coincidental that you're lost in place
It's drippin' off your face, and you're losin' your precious mind

Send me a postcard if you get that far
You got a couple pennies in your rusty jar
The truth you've been gone for awhile
It's hard lookin' at you when you look that way
With your one night stands and your sleep all days
Ooh you're such a slut sometimes

Hey, you know it ain't coincidental that you're lost in place
It's drippin' off your face, and you're losin' your precious mind

You're losing your mind "
                        - Kings Of Leon - Wicker Chair  -

Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011

So as fire burns and water wets
The circle keeps closed as the fortune swaps
Bond the north, the east, the west as well as the south
And guard the words coming from your mouth
Under the old tree you must rest
For the path is long and bursts your chest
Nine nights and nine days
While the wheel turns its own ways
The candles mark the trace
Strong the hands and pure the face
When the dark defeats the light
On the top of the mount you must take sight
For in the horizon the moon stares
To be patient you must dare
And as the Man great prosperity makes.
Time gives and time takes.
And while your steps you see
Be aware of the rule of three
For all the seeds you sow
Healthy they must grow.

Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011

No hay cielo o infierno en tus ojos.
El viento del sur me dijo que los días y las noches se hicieron muy pequeños para que los toques con tus manos.
Hay veces las que he intentado fingir las cosas que siento y la misma melodía siegue sonando siempre.
Y yo que soy todavía tan joven me siento tan vieja en estos días en los que el tiempo me habita.
Pero en tus ojos el tiempo no habita más.
Me pregunto si lo sabes…
Me gustaría preguntarte. Me gustaría decirte todo lo que nunca te dije…
Pero tú habitas ahora el reino del silencio.
Y cuando yo pienso que estás muy cerca…ya te has marchado.
¿Te acuerdas de las horas en las que palabras fueran nuestras murallas?
Creo que después del día en el que te fuiste todas las palabras se han borrado.
Como un cuerpo consumido que no puede más reconocerse.

Domingo, 4 de Dezembro de 2011

Hoje gostava de escrever (uma vez mais) sobre o amor-próprio.
Não é fácil consegui-lo. Ele é sorrateiro.
Nem sempre ele está onde achamos que ele está.
Muitas vezes julgamos que o atingimos através de uma mudança de penteado, ou uma perda de peso ou uma roupa nova. Outras vezes achamos que o encontraremos nas relações com as outras pessoas.
Até que um dia nos apercebemos de que ele está apenas e só dentro de nós.
E é, na maioria das vezes indiferente às mudanças exteriores.
É com uma mudança interior que o encontramos.
Eu perdi quilómetros do meu caminho á procura dele onde ele não estava para mim.
Perdi horas…dias e noites…meses…anos…a tentar decifrar minuciosamente os caminhos do longo labirinto da auto-estima.
A empreender todas as regras para uma possível auto-aceitação.
Cansava-me. Desistia. E recomeçava tudo outra vez.
Sempre que julgava que estava perto de algo, concluía que ainda me odiava mais do que quando tinha começado.
Torturei-me de todas as formas possíveis. E quanto mais me torturava mais pensava que estava no melhor caminho para ser perfeita.
Perfeita…como se a perfeição existisse…
E não me suportava por falhar sempre em tudo.
E odiando-me, odiava o mundo.
Já sabemos que devemos gostar de nós, aceitarmo-nos como somos e tudo isso…mas não adianta dizer isso…porque isso não é a causa que leva ao amor-próprio, mas sim a sua consequência, ou seja, só conseguimos gostar de nós e aceitarmo-nos quando ganhamos o amor-próprio, e não de forma inversa.
Na verdade não adianta esforçarmo-nos muito.
No final, feitas as contas, acabamos por gostar realmente de nós exactamente quando nos deixamos de esforçar para isso. Quando nem nos importamos.
Eu diria que o segredo para conseguir o amor-próprio é a simplicidade.

Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

Tu és o tudo e o nada dos dias.
Nas tuas mãos o vento e todas as coisas vivas do universo.
Criaste a chuva e a manhã.
Revoltaste os ventos do norte e seguiste na tempestade fulminante.
Tu és o tudo e o nada dos dias.
Ao teu lado caminham os espíritos do entardecer.
E as feras da escuridão não te alcançam.
De ti cresce o caos e a harmonia.
E os que se cruzam contigo. E te olham e contemplam a tua imagem seguem alheios à grandeza de tal contemplação.
E tu nada lhes dás e nada lhes tiras.
De ti fluem nove rios com nove correntes. E os teus pés nunca se cansam.
Caminhas em silêncio, porque o tempo urge e sabes que as palavras por vezes lançam sementes que germinam em tragédias.
Tu és o tudo e o nada dos dias.
Nos teus olhos ardem as fogueiras das noites frias ancestrais.
O teu corpo forte e sem medo carrega o peso de um mundo que um dia desabou sobre ti.
Lês os sinais das estrelas e adivinhas na dança das folhas mortas a imortalidade dos ciclos.
Tu és o tudo e o nada dos dias.
Nos teus braços envolves o todo num tabuleiro de xadrez e a tua música nunca cessa.
Corres pelo espaço aberto dos campos desertos e espalhas o dia e a noite. E com eles acendes faíscas de gelo num mar de luz e trevas.
E na ponta dos teus dedos agitam-se milhões de trovoadas.
Tu és o tudo e o nada dos dias.
Na tua pele embalas a solidão num sono profundo.
Golpeias sem receio a carne crua das sombras apocalípticas erguidas em agonia.
E sabes, sem ninguém ter-te contado, que há estátuas de pedra que choram na escuridão tumular.
E escondes-te por detrás do ténue véu que separa o sangue da água.
E os que param e, cegos e sedentos de respostas, te confrontam, não os compreendes.
Tu és o tudo e nada dos dias.
À tua passagem extinguem-se as chamas de todas as velas.
E por ti ergue-se um altar sem nome.

Sábado, 26 de Novembro de 2011

Quantas vidas cabem numa vida?
Eu diria que cabem imensas.
Cabem quantas vidas surgirem no nosso caminho e quantas dessas nós estivermos dispostos a enfrentar.
Há uma nova vida em cada emoção. Em que cada mudança de humor. Em cada conquista.
Um dia somos a pessoa que se encerra totalmente do mundo desejando que toda a gente á sua volta se extinga de repente.
Outro dia somos a pessoa que implora para que alguém repare em si. Para que alguém diga alguma coisa. Para que alguém ofereça algum conforto.
Um dia somos a pessoa que tem medo do escuro.
No outro dia somos quem apaga as luzes.
Será possível viver vidas que se contradigam umas às outras?
Será possível não manter um padrão de comportamento?
Será possível continuar em frente ignorando os fragmentos das vidas passadas que vão ficando atrás de nós?
Eu diria que sim.
Alguns desses fragmentos provavelmente ainda permanecerão agarrados a nós por algum tempo, teremos que continuar a andar até que eles caiam completamente.
Alguns eventualmente não cairão.
Esses,teremos que aprender a cobri-los. A escondê-los. A soterrá-los.
Assumiremos então que eles farão parte da nossa bagagem ao longo da nossa viagem. E, assim, vamos guardando-os na parte mais recôndita e vamos colocando novas coisas sobre eles.
Somos usados, mas novos.
Sempre novos. Quantas vezes ousarmos sê-lo.
Fazemos o que for preciso.
Esperamos que com o pó dos dias os fragmentos das vidas passadas sem dissolvam.
E continuamos.
Não acontece de um dia para o outro.
A mudança leva tempo, já sabemos.
Temos que ser pacientes e esperar que a velha pele caia por completo, até podermos ostentar com brio a nova pele.
É uma metamorfose.
Temos que esperar pela altura certa, como as larvas esperam todo o inverno no seus casulos até à chegada da primavera para surgirem como lindas borboletas.
Aceitar e enfrentar cada nova vida que escolhemos é ter a noção de que temos que passar pelo processo da metamorfose.
Quantas vidas cabem numa vida?
Depende de nós. Da nossa coragem e aceitação de que tudo vem e tudo vai.
De que ao fim de algum tempo temos sempre que deixar a nossa pele velha cair.
Aceitar que durante esse processo podemos estar mais vulneráveis enquanto a nova pele ganha crosta. Mas que isso não nos faz necessariamente mais fracos, apenas seres em transição.
E é nessa transição que arranjamos escudos para nos protegermos na fase seguinte.

Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

Quando tinha 16 anos o que mais desejava era ser invisível.
Queira tanto ser invisível que marquei o meu suicídio para o dia em que completasse 17 anos.
(A sério?)
Tinha tudo programado…dia…hora…local…e claro a forma como me suicidaria…
(que tonta…)
Não me lembro exactamente do que me fez mudar de ideias na altura.
Creio que foi algo tão insignificante como o que me fez ter a ideia em primeira instância.
Na altura eu apenas sabia uma coisa.
Ou pelo menos julgava saber.
Sabia que a minha existência era ridícula.

 Houve muitas outras alturas em que me quis suicidar.
Não com dias marcados nem nada disso, mas sei que em diversas situações eu não quis mais viver.

Não, eu hoje já não penso assim.
Não sei se isso faça de mim uma pessoa melhor ou pior.
Simplesmente hoje gosto de viver.
Hoje finalmente posso dizer que GOSTO de viver.
Que GOSTO de mim.
E acho que nunca tinha sentido isso.
Não que eu tenha “melhorado” enquanto pessoa ou na aparência.
Apenas mudei a minha forma de me encarar.
Percebi que não temos que andar mortos antes de morrer.
A morte há-de vir.
E, desenganem-se…ela virá…
Percebi que não há necessidade nenhuma de sermos mártires de nós mesmos.
Um dia de cada vez…o caminho faz-se.
Não temos que ter objectivos tão grandes que tudo pareça tão impossível de alcançar.
Não temos que ter “role models”, que nos façam sentir sempre uns falhados.
Cada pessoa é diferente. E pronto.
Fazer da vida uma competição com alguém. Ou redesenharmo-nos á imagem de outra pessoa só nos condenará a um descontentamento diário.
E a nossa visão das coisas é sempre distorcida.
Percebi que nos esforçamos demasiado.
E quanto mais nos esforçamos mais tragédia cai sobre nós.
E eu antes não sabia disso.
Pensava que o mundo estava todo contra mim.
Que era um fardo viver. E,por conseguinte, nada fazia sentido.
E eu não sabia que apenas tinha que mudar a minha perspectiva de ver o mundo.